Durante décadas não foi dada a devida importância à música, quando utilizada nas produções audiovisuais. Sobretudo nas obras cinematográficas, era vista apenas como um recurso para preencher o vazio sonoro das imagens projetadas na tela. Gradativamente, porém, essa visão foi se modificando. Passou a ser mais valorizada quando os produtores e roteiristas dos filmes perceberam que, apesar de ser ainda executada ao vivo, a música já estava presente desde a origem do cinema. Afinal, o cinema foi mudo, totalmente privado de palavras, mas nunca deixou de ser sonoro. Sempre existiram intervenções sonoras, fosse por um pianista ou até mesmo uma grande orquestra no momento em que se projetava o filme na tela.
Na transição das décadas de 1920 e 1930, a música continuou a ser usada no cinema, porém, paulatinamente incorporada e sincronizada ao filme. Introduzidos a fala e os sons do mundo, o cinema poderia ter ignorado tal recurso, mas não foi o que aconteceu.
A linguagem cinematográfica, então, contava com as falas, com os efeitos sonoros e com a música. E através da música, chegaram a dança e o sapateado. A composição sonora da trilha estava completa, o que passou a permitir, às produções, uma espécie de narrativa alternativa – por vezes em segundo plano, mas por vezes, como protagonista da história.
Há casos em que a música “apenas” contribui com a forma como a história é contada. Noutros casos, a história só pode ser desenvolvida graças à música. A cena pode ser de romance, aventura, humor, épica ou até com conteúdo de violência. Em qualquer dessas (e outras) situações, a música prepara e envolve o espectador, provocando nele sensações das mais variadas, conforme a história e – não menos importante – conforme o estado de espírito do espectador.
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